Força-tarefa que dará apoio a escolas será ampliada para sete áreas do Rio

12 de setembro de 2017

O secretário municipal de Educação, César Benjamin, disse hoje (12) que a força-tarefa criada pela Secretaria Municipal de Educação do Rio para fazer, até o fim deste ano, o reforço pedagógico em unidades escolares que ficaram sem aulas durante confrontos entre policiais e traficantes será ampliado para sete áreas do Rio.

O projeto, que começou ontem (11) para alunos de 15 escolas do Jacarezinho e de localidades próximas, além de duas unidades do Bairro Carioca, em Triagem, na zona norte do Rio, deverá beneficiar também estudantes de outras regiões. “As interrupções episódicas acontecem, mas em sete áreas da cidade essas interrupções são mais frequentes. São essas sete áreas que escolhemos para concentrar esforços: Jacarezinho, Cidade de Deus, Vila Kennedy, Chapadão, Alemão, Maré e Manguinhos”, disse à Agência Brasil.

O secretário admitiu que não é possível avaliar, neste momento, se o reforço será suficiente para garantir o aproveitamento de todo o conteúdo escolar que os alunos deixam de receber toda vez que as unidades precisam ficar fechadas por causa da violência. Para ele, é muito difícil dizer isso agora, porque é uma experiência que está em curso, mas ele está otimista.

“Estamos propiciando a esses alunos aquilo que normalmente só a classe média tem acesso, que são aulas de reforço, muitas vezes até em caráter individual. São professores que vão trabalhar muito junto dos alunos. Ainda é cedo para ter alguma avaliação, mas eu não estou pessimista. Acho que a gente pode fazer uma boa recuperação do tempo perdido”, disse, completando, que o reforço terá o conteúdo escolar previsto para o ano e obedecerá o número de horas/aula definido pelo Ministério da Educação.

As aulas de reforço serão realizadas no contraturno dos alunos para repor o conteúdo perdido nos dias em que os alunos não puderam ir às escolas, especialmente de língua portuguesa e matemática, disciplinas em que as crianças e os jovens mais apresentam dificuldades. Segundo Benjamin, não haverá problemas de ocupação das unidades, porque algumas funcionam em apenas um turno. “Como as escolas são muito próximas entre si, sempre utilizamos os espaços e conseguimos acomodar todo mundo”.

Professores terão acompanhamento

Para as ações da força-tarefa, a secretaria deslocou profissionais da educação para as áreas que serão atendidas. “Estamos deslocando para as salas, professores que estão em quatro diferentes estâncias da secretaria. No próprio nível central, na secretaria de ensino, na escola de formação professores, nas coordenadorias regionais e no núcleo interdisciplinar de apoio. Nesse conjunto aí temos umas centenas de professores neste projeto”, disse.

Os professores e funcionários que trabalham nas unidades escolares de áreas de conflito também terão acompanhamento em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. O secretário disse, no entanto, que, paradoxalmente, a maioria dos professores não deseja sair dessas áreas porque desenvolveram laços afetivos com as comunidades e com os alunos.

“É uma coisa curiosa, paradoxal e bonita, que mostra um grau de envolvimento muito alto. Nós estamos montando um programa nas 11 CREs [coordenadorias regionais de Ensino]. Cada uma terá um programa específico com fonoaudiólogos e psicólogos para os professores”, concluiu, dizendo, que é elevado o nível de estresse desses profissionais.

Para desenvolver todas essas ações a secretaria fez um remanejamento de recursos próprios. “O que é caro neste caso é o pagamento da força de trabalho, que já está na folha, então, não é um programa especialmente caro para nós. Estamos gastando mais com material didático, duplas regências [mais um turno de trabalho], mas não exigem nem equipamentos e nem contratação de pessoal que seria realmente mais caro. A dupla regência a gente já prevê”

Alunos sem aula

Em função de confrontos entre traficantes e a polícia do Rio, 4.501 alunos das comunidades do Complexo da Penha e do Caju, na zona norte do Rio, não tiveram aulas na rede municipal. No Complexo da Penha uma escola, quatro creches e três Espaços de Desenvolvimento Infantil ficaram fechados por causa da violência, o que prejudicou 1.516 alunos. No Caju foram três escolas, cinco creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil fechadas, deixando 2985 estudantes sem atividade.

No Caju, policiais militares do Batalhão de Ação com Cães (BAC) fizeram uma operação nesta terça-feira na localidade Parque Alegria, onde foram feitas duas prisões e apreensão de 250 pinos de cocaína, 68 frascos do entorpecente chamado loló, 250 trouxinhas de maconha e dois frascos de lança-perfume. A ocorrência foi encaminhada para a Central de Garantias Norte, da Polícia Civil do Rio, na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, zona norte da cidade.

No Complexo da Penha, durante a operação um policial militar do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foi ferido de raspão no joelho esquerdo quando dava apoio à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Fé/Sereno. De acordo com a PM, o agente foi encaminhado ao Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), no Estácio, na zona norte e não corre risco de morte. As equipes da PM permanecem na região.

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