Festival reúne no Rio até dia 28 a arte e cultura de 9 países

20 de outubro de 2018

As areias de Copacabana, na altura do Posto 2, no Rio de Janeiro, sediaram ontem (19) à noite da abertura da nona edição do Tempo Festival:Presente!, com a instalação urbana A Praia e o Tempo, do arquiteto e artista carioca Pedro Varella.

Uma grande estrutura quadrada, com 30 metros de comprimento por 30 de largura e 50 de altura, foi montada na areia para demarcar a área de trabalho. Ali, o público pode ser um ativo participante das transformações que ocorrerão diariamente no local, por força dos movimentos da água, do vento e da própria areia, ao longo do festival, que se estenderá até o dia 28 deste mês.

A estrutura servirá ainda para a apresentação da coreógrafa francesa Julie Desprairies que, junto com Pedro Varella, participa do Programa Residência Artística Cruzada, do Instituto Francês do Brasil, que será realizado durante o festival este ano e em 2019, na França.

O diretor do festival, Cesar Augusto, disse que o evento traz este ano a palavra “Presente!”, “para mostrar o quanto é necessário, apesar da fragilidade com que se encontra a cultura nacional, firmarmos o festival dentro do calendário oficial do Rio de Janeiro. Esse fato de estarmos presentes faz com que tenhamos, dentro da programação, espetáculos que traduzem o aspecto de resistência, através da adesão de artistas”.

Gratuidade

A maior parte dos espetáculos programados é franqueada ao público. Apenas três atrações têm ingresso pago, mas a preços populares: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Ao todo, oito espaços públicos e privados, incluindo a praia de Copacabana, sediarão as performances de artistas do Brasil e de mais oito países (França, Uruguai, México, Colômbia, Polônia, Croácia, Suíça e Alemanha).

A programação do Tempo Festival: Presente! será encerrada dia 28, nos escombros do Teatro Villa Lobos, com um trabalho oriundo do México, intitulado “A única coisa que necessita uma grande atriz é uma grande obra e vontade de vencer”, da companhia Vaca 35 Teatro en Grupo.

“Casa perfeitamente, porque se precisa de uma área que seja inóspita e que trabalhe com a ideia de ruínas”, disse o diretor. A apresentação do México foi possível graças a recursos do fundo internacional Iberescena, que permitiu também a realização de mais dois trabalhos, sendo um da Colômbia (Kassandra, do grupo La Maldita Vanidad) e outro do dramaturgo uruguaio Sergio Blanco. O Teatro Villa Lobos foi desativado após incêndios ocorridos em 2011 e 2015.

A pré-estreia do espetáculo de Sergio Blanco “A ira de Narciso “, com o ator Gilberto Gawronski em cena e direção de Yara de Novaes, será no Teatro Oi Futuro, no bairro do Flamengo, zona sul do Rio. “Com todas essas forças, com a adesão dos artistas e através de uma parceria internacional, a gente conseguiu manter o Tempo Festival: Presente!”, salientou Cesar Augusto.

Ele destacou que construir o festival internacional este ano só foi possível através de parcerias com fundos estrangeiros e da adesão dos artistas dentro da programação.

Cidadania

Segundo Cesar Augusto, todos os festivais, “seja de que origem forem”, estabelecem um elo fundamental e participativo da cidade na cultura.

“O festival é peça indispensável para criar cidadania, coletividade, comportamento. É uma forma de as pessoas conviverem. A arte e a cultura são a alma de uma cidade. Se você não tem isso, tudo se transforma em uma população sem pensamento desenvolvido no que se refere à educação, à cultura. As coisas vão se tornando mais difíceis. O festival traz essa motivação de enriquecimento cultural”.

Na sua avaliação, o festival contribui para tornar o Rio de Janeiro um ponto não somente turístico, mas cultural, e ter representatividade internacional.

Os espaços que apresentarão atrações até o dia 28 são:

Praia de Copacabana (Posto 2) – A praia e o tempo
Oi Futuro (Flamengo) –  A ira de Narciso e Studio Cabaret Voltaire
Escola de Artes Visuais Parque Lage (Jardim Botânico) –  Cavemusic
Casa Firjan (Botafogo)  – Internacionalização de Projetos Artísticos e Culturais
Sesc Copacabana (Copacabana) –  As flores do mal ou a celebração da violência
Sede das Cias (Lapa – Escadaria do Selarón) – Residência Artística com Anna Karasin´ska
Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto (Humaitá) – Ato e Efeito 2, Painel Iberescena, Kassandra e processos nacionais: Vácuo, Três Maneiras de Tocar no Assunto e Versão Demo
Teatro Villa-Lobos – Espaço I (Copacabana) – A única coisa que necessita uma grande atriz é uma grande obra e vontade de vencer

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