Feira em São Paulo mostra produtos orgânicos e biodegradáveis

10 de junho de 2017

Hoje (10) e amanhã (11), o consumidor interessado em produtos orgânicos tem a chance de conhecer o que há de novidade no setor. Eles podem ser encontrados na 13ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia (Bio Brazil Fair) e na Feira Internacional de Alimentação Saudável (Naturaltech) instaladas no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, na capital paulista. Lá estão empreendedores de produtos orgânicos, de origem da agricultura familiar, outros biodegradáveis, agroecológicos e veganos. Para os profissionais de saúde e representantes comerciais do setor, as feiras estão abertas desde quarta-feira (7).

Como alternativa a produtos de limpeza convencionais, as feiras apresentam opções biodegradáveis, que podem ser decomposto facilmente sem deixar propriedades químicas nocivas no ambiente. Marcella Zambardino, diretora de Produto e Marketing da empresa Positiva, que está com um estande na feira, disse que o seu projeto de limpeza consciente começou por causa da bucha usada para lavar louça.

No lugar da bucha comum de material industrial, ela começou a usar a bucha vegetal. “A bucha é o maior exemplo de produção responsável que a gente faz. Nós aderimos à bucha para lavar louça em casa quando descobrimos que aquela bucha verde e amarela feita de petróleo, feita por multinacionais, demorava 150 anos para se decompor e mesmo assim ainda deixa partículas no meio ambiente”, disse.

Segundo Marcellla, a bucha vegetal dura em média dois meses e pode ser descartada no meio ambiente ou junto com resíduos orgânicos. “Ela é compostável: vai na verdade nutrir o solo, porque é um fruto seco. O termo para definir esse tipo de produto chama cradle to cradle, que é ‘do berço ao berço’, é um ciclo completo, não tem nenhuma parte do processo que se interrompe”, explicou. “Nessa lógica, não há descarte porque tudo que sobra tem uma utilidade para outro ciclo”, completou.

Limpeza biodegradável

Além da bucha vegetal e de panos feitos de algodão reciclado, a empresa conta com uma linha de produtos de limpeza biodegradáveis: lava-louça, lava-roupas e multiuso. A base dos produtos são os óleos essenciais presentes nas cascas das laranjas. “Nossa ideia é desintoxicar a casa das pessoas. Porque todo dia estamos inalando esses produtos por inércia, pelo marketing, pelas embalagens, acabamos comprando sem questionar por que existe um produto para cada coisa”, disse.

“Os produtos são biodegradáveis – em primeiro lugar – que é nossa preocupação, porque por trás disso tudo está a água. Sem água não tem vida. Então temos que parar de descartar coisas na água que não sejam biodegradáveis. Depois disso, não ter teste em animal. São hipoalergênicos – não dão alergia nem seres humanos nem nos animais – e a produção de tudo é responsável, tanto na parte social quanto ambiental”.

Produtos da Amazônia

Outro destaque da feira é a manteiga de cupuaçu e o óleo de castanha, ambos orgânicos, que têm suas matérias-primas extraídas por comunidades locais da Amazônia brasileira. “Dentro do nosso projeto são mais de 18 mil pessoas atingidas. Trabalhamos com comunidades locais, ribeirinhas, da região amazônica. Eles fazem a coleta. A gente faz um trabalho dentro da floresta amazônica levando tecnologia e, da tecnologia, eles fazem o processo de extração”, disse Lilia Kawazoe, gerente comercial da Concepta Ingredients.

Segundo ela, o processo de extração dos insumos é 100% a frio, livre de solventes. A manteiga do cupuaçu, fruto da região, é extraída da semente, que antes era descartada. “O interesse nosso é mostrar para o mercado que podemos fazer [produtos] com o que está presente na floresta, trazer para o consumidor, para o mercado e manter a floresta em pé. Quanto mais a população perceber que a floresta em pé é rentável, mais ela continuará em pé”, afirmou.

Segundo ela, a empresa, por meio de seus projetos, consegue manter preservados 900 hectares de floresta nativa. “Todo projeto vai depender não só da demanda do mercado, mas também do que conseguimos trazer da floresta, porque ela não é infinita. Para ela ser preservada, temos que ter essa consciência”, disse. A empresa auxilia também no processo de certificação orgânica para os produtores e cooperativas locais.

Agricultura familiar

Na área da agricultura familiar, dez empreendimentos ocupam o estande da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (Sead) do governo federal. O objetivo de estarem presentes na feira é de ampliar o acesso aos mercados e incentivar a realização de negócios.

“A comercialização é o principal entrave para a agricultura familiar, o acesso aos mercados [é um obstáculo]. E, nesse caso da agricultura orgânica, ainda tem um complicador que é a falta de conhecimento, por parte da sociedade, daquele tipo de produto, da importância, da forma como é produzido aquele produto. Então esse tipo de evento é de suma importância para que seja disseminado esse tipo de informação”, disse José Ricardo Roseno, secretário especial da Sead.

Este ano, a secretaria levou sete organizações de agricultura familiar à feira internacional de orgânicos na Alemanha. “A nossa participação, em Nuremberg, viabilizou US$ 14 milhões a mais de negócios para as organizações que nós levamos, além da troca de experiência”, ressaltou.

De acordo com o secretário, devido à demanda da sociedade, os agricultores estão melhorando seus processos de produção, seja por meio dos dos orgânicos ou dos agroecológicos. “E há uma interação muito próxima da agricultura familiar, em função das características do agricultor familiar, no sentido de que ele está muito próximo dos recursos naturais, então ele valoriza muito esses recursos”, disse.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a agroecologia alia a produção no campo com o uso e conservação dos recursos naturais, por meio de práticas ecologicamente adequadas. Para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, uma das características do produto orgânico é não utilizar práticas e insumos contaminantes que possam pôr em risco o meio ambiente e o produtor.

No Brasil, segundo dados da Sead, são 750 mil hectares utilizados na produção de orgânicos. Desses, 70% corresponde à agricultura familiar.

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