Família de Rayanne recebe Comissão de Direitos Humanos da Alerj

30 de dezembro de 2016

Caio Barbosa

– Maria Eduarda, de 3 anos, terá prioridade em creche e assistência psicológica –

Rio – Os familiares da jovem Rayanne Christini Costa Ferreira, de 22 anos, morta barbaramente há duas semanas, grávida de um bebê de sete meses, por Thainá Silva Pinto, de 21 anos, e o marido Fabio Luiz Souza Lima, de 27, receberam na manhã desta sexta, os integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, presidida pelo deputado Marcelo Freixo (Psol).

Participaram da reunião a mãe de Rayanne, Bárbara Filomena, a tia Jupira Costa e a filha de Rayanne, Maria Eduarda, a Duda, de apenas três anos. Os familiares, ainda muito abalados, elogiaram o trabalho da Comissão de Direitos Humanos.

“Foi muito positivo. A gente está muito preocupada, neste momento, com a Duda, que era muito apegada à mãe e tem apenas três anos. Semana que vem faremos uma outra reunião, com a presença do pai dela, para fazermos outros encaminhamentos. Mas a comissão já nos ajudou com a assistência psicológica e, principalmente, com o carinho que tiveram com a Duda, que é o mais importante. O próprio deputado Marcelo Freixo foi muito atencioso não apenas com a gente, mas com ela. É disso que a gente precisa”, disse Jupira.

O deputado Marcelo Freixo também mostrou preocupação com a filha de Rayanne, mas considerou a reunião muito positiva e elogiou o trabalho jornalístico feito pelo DIA, que acompanhou o caso desde o início, quando Rayanne estava desaparecida.

“Chegamos à família graças ao DIA. Trabalho com direitos humanos há 30 anos e não me lembro de outro caso assim. O primeiro passo foi acionar a polícia, mas no meu primeiro contato vimos que o trabalho já tinha sido feito, e muito bem feito pela delegada Elen Souto. O segundo é prestar assistência às vítimas. A isso chamamos direitos humanos, muito embora, infelizmente, muita gente fale o contrário. Mas é isso o que fazemos. A reunião foi muito boa. A Duda é uma menina muito bem desenvolvida, muito bem criada. Conseguimos prioridade para o atendimento psicológico para ela em Padre Miguel, e também na Defensoria Pública, para agilizar a definição da guarda da criança para que ele não fique sem matricula na creche no próximo ano. E vamos tratar, agora, de assistir toda a família”, disse Freixo.

O deputado também fez questão de elogiar o trabalho da delegada Elen Souto, da Delegacia de Descoberta de Paradeiros.

“Precisamos elogiar quando o trabalho é bem feito. A Elen é uma grande delegada. Quando entrei em contato com ela, após o DIA me informar sobre o caso, já estava tudo elucidado. Ela também fez um excelente trabalho no Caso Amarildo. É preciso lembrar, inclusive, que esta delegacia só foi criada após aquela tragédia. E que ainda há 6 mil desaparecidos, seis mil Amarildos por ano no Rio de Janeiro, mas muito pouca gente se preocupa com isso”, destacou Freixo.

Entenda o caso

Na manhã do dia 13 de dezembro, Rayanne levou a filha de 3 anos, à creche. De lá, sozinha, pegou um trem com destino à Central do Brasil para buscar o enxoval para o bebê prometido por Thainá, que exigiu que ela fosse até Magé pegar as roupinhas e fraldas. As duas se conheceram pelo Facebook em um grupo para grávidas onde Thainá fez a oferta.

O bebê, que se chamaria Maria Luísa, nasceria entre janeiro e fevereiro.
Às 16h, Rayanne não apareceu para buscar a filha ma creche como fazia todos os dias. A família achou estranho e ligou para o celular da jovem, que estava desligado.

Desesperados, parentes decidiram registrar o desaparecimento na polícia. Na ocasisão, para ajudar nas buscas, a Polícia Civil disponibilizou um cartaz com o rosto da mulher e telefones para contato.

Quem era Rayanne

Filha de pais separados, a jovem morava com a mãe, a primeira filha de 3 anos e dois irmãos, um de 7 e 13 anos, respectivamente, em Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio. Rayanne, que aos 19 anos parou de estudar para dar à luz a primeira filha, passava os dias revezando os cuidados com os da avó, que sofre de Alzheimer.

Manifestação e procura

Cinco dias depois do sumiço, no dia 18 de dezembro, familiares e amigos de Rayanne fizeram uma manifestação em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Eles cobravam da polícia mais empenho nas investigações do caso. Com cartazes e faixas eles percorreram várias ruas do bairro. Um dia antes, no dia 17, parentes da moça estiveram na Central do Brasil, no Centro do Rio, procurando pelo paradeiro na jovem.

No mesmo dia, eles estiveram também em Duque de Caxias e Magé, na Baixada Fluminense, para tentar localizar a jovem. À ocasião, uma testemunha contou ter visto Rayanne na rodoviária da cidade.

Na mesma semana, a família de Rayanne encontrou um antigo celular da vítima e conseguiram acessar o seu Facebook, no entanto, nada de estranho teria sido achado. Já entre os dias 17 e 19, um amigo da família conseguiu rastrear o telefone dela até Caxias, onde o aparelho teria perdido o sinal. Parentes foram até à cidade em vão.

Informações falsas e mensagens racistas

Durante a investigação da Polícia Civil, parantes e amigos de Rayanne receberem várias mensagens falsas sobre o paradeiro da jovem. Muitas delas foram de cunho racista. Jupira Costa, uma das tias da moça, contou que tem recebido, todos os dias, ligações, mensagens e comentários do suposto paradeiro da mulher.

No entanto, segundo ela, muitas mensagens eram de cunho racista. “Nesta semana recebemos a seguinte mensagem de uma pessoa: ‘Esse bebêzinho não custa mais que R$ 10 mil no mercado negro. Ainda mais prematuro. O valor vai uns 15%, ou seja, vai valer no máximo R$ 8 mil. É melhor destrinchar os órgãos e vende-lós avulso. O lucro triplicaria'”, dizia uma mensagem que a tia recebeu. “Isso é um absurdo, estamos sofrendo. Estamos recebendo diversas ligações. Não tenho nem mais a conta que quantas pessoas nos ligaram para informar o suposto paradeiro da Rayanne”, diz.

Comissão da Alerj cobrou resposta da polícia

No dia 22, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) informou, que atuaria no caso junto à Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) para cobrar mais agilidade a respeito do sumiço de Rayanne. À ocasião, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) disse que marcaria um encontro com familiares da vítima e que entraria em contato com a delegada Elen Souto, responsável pelas investigações.

Prisão de suspeita

Após investigação,Thainá da Silva Pinto, 21, foi presa em casa, em Magé, mas não revelou o paradeiro da vítima. Na gravação entregue para a Polícia Civil, Rayanne, que havia chegado ao local de trem, vindo de Padre Miguel, na Zona Oeste, não teria deixado a estação. Na imagem é possível observar que vítima espera pela suspeita. Elas conversam por alguns instantes e em seguida saem. A suspeita estava de roupa listrada, camiseta branca e um short.

‘Família vive um inferno’

A vida dos familiares de Thainá da Silva Pinto virou pelo avesso após a polícia confirmar a autoria da acusada no sumiço de Rayanne. Um irmão da acusada chegou a dizer que não acredita na participação da irmã no crime. No entanto, ele contou que, caso fosse culpada, deveria pagar pelo crime. De família humilde, Thainá cresceu e morou a vida inteira em Magé. Sem passagem pela polícia, elaa é a filha do meio de três irmãos. O pai e a mãe são diáconos de uma igreja evangélica.

Outras vítimas

Thainá da Silva Pinto, suspeita de sequestrar Rayanne Christini, teria mentido para a família e disse que estava esperando um bebê. Inclusive, parentes chegaram a comprar berço, carrinho e várias roupinhas para a suposta criança da acusada, que se chamaria ‘Laura’. Já nas redes sociais, Thainá contava uma outra história. De acordo com depoimento de pessoas que chegaram serem procuradas pela suspeita, ela anunciou roupinhas em um grupo de Facebook e disse que estava fazendo as doações porque os itens não cabiam mais em sua filha, que havia nascido de sete meses.

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