Faltam remédios e insumos no Hemorio

8 de dezembro de 2016

Luiza Sansão

– Cremerj denuncia precariedade na unidade de doação de sangue e tratamento de doenças hematológicas do estado –

Rio – Sem medicamentos e insumos básicos, devido à crise financeira estadual, o Instituto Estadual de Hematologia Arthur Siqueira Cavalcanti (Hemorio) está em condições precárias de atendimento. O alerta é do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj). Principal referência para o tratamento de doenças hematológicas de alta complexidade no estado, a unidade enfrenta irregularidade no fornecimento de quimioterápicos, analgésicos, antibióticos, luvas estéreis, gaze, seringas, soro, entre outros insumos.

Segundo a tecnóloga em logística Helen Pitanga, 33 anos, que faz tratamento contra anemia falciforme há 31 anos no Hemorio, o atendimento está seriamente comprometido. “Faltam medicamentos para dor e manutenção do nível sanguíneo, Ácido Fólico, soro”, contou. “Às vezes falta material para o resultado de exame que é fundamental para saber a evolução da doença, se algum outro órgão foi atingido. Para quem está sujeito a complicações, pode ser até fatal”, disse Helen, que está grávida.

Falta até material para coleta. “Tem doador, mas não tem como coletar”, relatou a paciente. Sua mãe, Conceição Pitanga, 53 anos, já foi impedida de doar por falta de coletor. “Não tem a quantidade de médicos necessária, água e papel higiênico, luz.

Procurado por médicos que atuam no Hemorio, o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, visitou a unidade. “Encontrei uma equipe de médicos desfalcada e desabastecida de insumos básicos, como quimioterápicos para tratamento de pacientes com câncer”, contou. O Sindicato obteve, em abril, liminar da Justiça que determinou que o Estado abastecesse o Hemorio, em 71 horas, com tudo o que fosse necessário. A decisão não foi cumprida e a Justiça emitiu nova liminar no dia 17.

A direção do Hemorio informou, em nota, que tem reunido esforços, com a colaboração da Fundação Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde, para manter o atendimento, apesar de irregularidades pontuais no fornecimento de itens. “No momento, não há falta de analgésico, soro, luvas estéreis, gaze ou seringa. O citômetro foi consertado e está funcionando normalmente, assim como o aparelho de ultrassom e os aparelhos de ar condicionado”, afirmou o órgão.

Segundo a secretaria, apesar da crise no estado, suas unidades estão funcionando e, desde o início do ano, a SES recebe 40% do orçamento estadual previsto, conforme a disponibilização de recursos liberados pela Secretaria de Fazenda. “De acordo com a SeFaz, não há disponibilidade de valores para que estes sejam repassados conforme as necessidades da secretaria”, diz a nota.

Leia também...

Loading...
Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com