Empresário baiano investigado em nova fase da operação da PF

Dono da DAG Construtora, o empresário baiano Demerval de Souza Gusmão Filho foi levado pela Polícia Federal em condução coercitiva (obrigado) para prestar depoimento no âmbito da 35ª fase da Operação Lava Jato, denominada Operação Omertà, na manhã de ontem. Ele é amigo do ex-presidente da empreiteira Odebrecht, Marcelo Odebrecht. A PF cumpriu mandados na casa do empresário Demerval na Mansão Terrazzo Imperiale, no bairro do Horto Florestal, e também no bairro do Stiep, onde fica a sede da construtora. Em Camaçari, a Polícia Federal esteve no Condomínio Busca Vida. Segundo a PF, a DAG Construtora adquiriu um prédio de três andares na Vila Clementino, Zona Sul de São Paulo, em junho de 2010, onde a empreiteira baiana planejava instalar a sede do futuro Instituto Lula.

Embora a DAG tenha registrado em cartório a compra do prédio por R$ 6,8 milhões, a PF acredita que o valor real foi R$ 12,3 milhões, o mesmo citado nos e-mails enviados a Teixeira. Num e-mail de setembro de 2010, apreendido nas investigações e divulgado em maio deste ano pelo jornal ‘Valor Econômico’, Marcelo Odebrecht afirma: “Preciso mandar uma atualização sobre o novo prédio para o Chefe amanhã. Qual a melhor maneira?”. O destinatário é Branislav Kontic, braço-direito do ex-ministro Antônio Palocci (Casa Civil do ex-presidente Lula e Fazenda da ex-presidente Dilma Rousseff), que foi preso ontem em São Paulo na mesma operação.

Segundo as investigações da Lava Jato, a família de Lula sabia dos planos de usar o prédio para o instituto: um projeto de reforma do imóvel, que incluía auditório, sala para exposição e até apartamento com cinco suítes na cobertura. As informações estavam numa pasta cor de rosa endereçada a dona Marisa Letícia e apreendida pela Polícia Federal, no início deste ano, no sítio de Atibaia (SP) que era usado por Lula e sua família.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu na operação de ontem 45 ordens judiciais, sendo 27 mandados de busca e apreensão, três mandados de prisão temporária e 15 mandados de condução coercitiva. Aproximadamente 180 policiais federais e auditores fiscais cumpriram as determinações judiciais em cidades nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. De acordo com a Polícia Federal, ‘há indícios de que o ex-ministro (Palocci) atuou de forma direta a propiciar vantagens econômicas ao grupo empresarial nas mais diversas áreas de contratação com o Poder Público, tendo sido ele próprio e personagens de seu grupo político beneficiados com vultosos valores ilícitos’.

Nesta nova fase, a Lava Jato apura possíveis crimes de corrupção (ativa e passiva), associação criminosa e lavagem de dinheiro. O nome ‘Omertà’ dado à investigação é referência à origem italiana do codinome que a construtora usava para se dirigir ao principal investigado da fase (“italiano”), bem como ao voto de silêncio que imperava no Grupo Odebrecht que, ao ser quebrado por integrantes do “setor de operações estruturadas” permitiu o aprofundamento das investigações.


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