Em setembro, para cada 2 negócios abertos, 1 encerrou atividades na Bahia

Ex-motorista de uma distribuidora de cerveja, C. Silva, 43 anos, resolveu montar uma pequena empresa de prestação de serviços na área da construção civil, no ano passado.

O negócio não foi à frente por causa da queda na procura e a empresa fechou. O sonho do micro empreendedor, contudo, não morreu e este ano ele abriu outra empresa, dessa vez de distribuição de cestas básicas.
Somente este ano, de janeiro a setembro, segundo os dados da Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb),12.409 empresas foram extintas no Estado. O número é maior do que o registrado durante todo o ano passado, quando 10.595 empresas foram fechadas na Bahia. Os maiores segmentos afetados são justamente os do comércio varejista e o de prestação de serviços, que juntos responde por quase 90% dos registros na Juceb.

O abre e fecha de estabelecimentos empresariais é uma das grandes preocupações dos empresários, principalmente os do setor do comércio, o mais atingido pela crise. O presidente do Sindicato dos Lojistas da Bahia, Paulo Mota, diz que “este é o retrato da crise, que atingiu o seu limite”, explicando que o comércio é a ponta de toda a cadeia produtiva até chegar ao consumidor. “Como o consumidor não pode comprar por estar desempregado, sem renda, o comércio não sobrevive e fecha”, resumiu.

Na avaliação do Sebrae, através da Unidade de Gestão Estratégica na Bahia, os dados sobre a abertura de novos negócios deve levar em conta que muitos empreendedores individuais não registram na Junta Comercial os seus estabelecimentos.  “Ressalte-se que esses que os Empreendedores Individuais não registram a extinção de empreendimentos na Junta Comercial”, diz a análise do Sebrae. A análise do Sebrae diz ainda que “há dificuldades em extinguir empreendimentos em razão de situações de inadimplência dos empreendimentos e a necessidade de quitação de  débitos fiscais para encerramento das atividades”, finaliza.

Preocupante
Este ano, conforme os números da Juceb, relativos ao último mês de setembro, para cada duas empresas que foram constituídas, uma delas fechou as portas. Em todo o estado foram abertas 2.342 novas empresas. No mesmo período, 1.443 delas encerraram suas atividades. Nos nove meses do ano, dos 18.681 novos empreendimentos que foram registrados na Juceb, 12.409 fecharam as portas.

Com dados consolidados de agosto de ano, o Sebrae analisa que se se levar em consideração o período de agosto/2015 a agosto de 2016 pode-se observar que a redução no ato de constituição de novos empreendimentos neste período corresponde a 1.427  estabelecimentos.

Já o fechamento de lojas mostra que no mesmo período analisado, a extinção  de  empreendimentos  aumentou em 4.605 estabelecimentos. “Este número (10.966) é superior ao total de extinção registrado em 2015 (10.595)”, diz a nota do Sebrae. 

A Juceb esclarece que o microempreendedor Individual (MEI) é a pessoa que trabalha por conta própria e que se legaliza como pequeno empresário. 

Já o Empresário Individual é aquele que exerce em nome próprio atividade empresarial, ou seja, empresa que é titulada apenas por uma só pessoa física, que integraliza bens próprios à exploração do seu negócio.


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