Economia: 'Parece que somos o problema mas somos a solução', diz presidente da Asduerj

6 de setembro de 2017

Paloma Savedra

– Ministério da Fazenda recomenda acabar com universidades, além de demitir servidor se plano de recuperação fiscal não for suficiente –

Rio – O parecer de técnicos do Ministério da Fazenda — assinado também pela secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi — sobre o plano do Rio deixou o funcionalismo e população apreensivos. O documento recomenda medidas ainda mais duras do que as já aprovadas na Alerj, como até mesmo a extinção — ou privatização e federalização — das universidades estaduais.

Asduerj%3A “Parece que somos um problema quando somos solução”

Asduerj%3A “Parece que somos um problema quando somos solução”

Foto: Reprodução

Foram sugeridas a “revisão de oferta de ensino superior” — o estado tem Uerj, Uezo e Uenf —, a demissão de servidores, e criação de alíquota previdenciária extra, entre outras ações. À Coluna, Pezão ressaltou que “são recomendações”: “Não quer dizer que serão implementadas”. Questionado sobre uma possível exigência para adotá-las, ele disse não acreditar que isso ocorra.

Apesar da apreensão de servidores, a presidente da Associação de Docentes da Uerj (Asduerj), Lia Rocha, argumentou que as recomendações não surpreenderam a categoria.

“Recebemos com indignação, mas sem surpresa, pois esse processo pelo qual estamos passando não é por acaso. Parece que somos um problema quando na verdade somos a solução, pois as universidades são parceiras no desenvolvimento do estado”, disse.

O professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Uerj (FCE-Uerj), Bruno Sobral, considerou o parecer perigoso: “Vejo como uma obrigação, e não recomendação. A probabilidade é de que o plano do estado não dê sustentação ao que a União quer em termos de receitas e corte de despesas e, com isso, vão exigir a adoção dessa lista. É uma profecia autorrealizável”.

Para o deputado federal pelo Rio, Alessandro Molon (líder da Rede), o parecer é “uma aberração” e mostra que o ministério “não tem conhecimento da realidade do Rio”, e que o órgão “mostra total insensibilidade social”. Ele destacou que a legenda está trabalhando para garantir a manutenção das universidades: foi proposta ação no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que as instituições recebam duodécimo. “Isso garante a autonomia financeira”.

O relator da recuperação fiscal, Pedro Paulo (PMDB-RJ), também fez ressalvas. “Não se pode exigir na largada um plano perfeito, com projeções irretocáveis”, afirmou ele, que acrescentou: “O parecer, que eu respeito, extrapola limites legais do plano, ao exigir mais do que a lei prevê, e que algumas delas o Parlamento rejeitou”.

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