Dois rivais noruegueses brigam por causa da Líbia

Enquanto o relatório Chilcot, que revelou as falhas da decisão britânica de apoiar a invasão americana no Iraque, deixou a Grã-Bretanha pasmada, o ex-primeiro-ministro norueguês e atual secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, pode enfrentar as mesmas críticas pelo bombardeio da Líbia que Tony Blair enfrentou após a sua empreitada iraquiana.

Thorbjorn Jagland, Secretário-Geral do Conselho da Europa

Recentemente foram traçadas analogias entre a invasão do Iraque liderada pelos EUA e a intervenção da OTAN na Líbia. O que surpreende mais é quem avançou estas ideias: nada menos que Thorbjorn Jagland, secretário-geral do Conselho da Europa. A preocupação dele com as críticas por parte do comitê investigador chefiado por Jonh Chilcot e dirigido contra o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, não pode ser escondida.

“Se a guerra no Iraque foi ilegal, o que Kofi Annan afirma, o que podemos dizer sobre os bombardeios da Líbia, que foi muito além dos limites do mandato do Conselho de Segurança da ONU?”, indagou Jagland no Facebook.

Os EUA e a Grã-Bretanha travaram a guerra contra o Iraque com um único objetivo – derrubar o presidente Saddam Hussein, uma ação levada a cabo sem a aprovação do Conselho da Segurança da ONU. A França votou contra, enquanto o presidente russo Vladimir Putin chamou a invasão americana de “grande erro político”.
Apesar da alegada existência de armas de destruição em massa no Iraque, nada parecido foi encontrado.

Em 2011, a OTAN invadiu a Líbia usando como pretexto o genocídio que Muammar Kadhafi, alegadamente, praticava contra os civis. Vale lembrar que o então primeiro-ministro Jens Stoltenberg esteve na vanguarda contra a Líbia e durante os primeiros meses de 2011 foi responsável por lançar 567 bombas no país, o que equivale a 17% do total de bombas lançadas pela OTAN. Depois disso, o governo norueguês recebeu elogios de Obama pela sua contribuição.

Mas o sucesso de Stoltenberg dificilmente entrará na história porque, após a derrubada de Kadhafi, as hostilidades saíram de seus limites razoáveis. A Líbia entrou um colapso e os chamados “libertadores” retornaram a casa.

Historicamente, desde o começo dos anos 2000, Thorbjorn Jagland e Jens Stoltenberg, ambos ex-primeiros-ministros, têm sido grandes adversários. Hoje continuam sua rivalidade – desta vez – na qualidade dos secretários-gerais do Conselho da Europa e da OTAN.Jagland estava descontente com agressão contra a Líbia e criticou a imprensa norueguesa e a recente cúpula da OTAN.

“Não foi feita nenhuma tentativa de resolver as coisas a longo prazo durante a cúpula da OTAN. Somente a propaganda na mídia norueguesa, quase tão feia como a propaganda da Rússia contra o Ocidente. Já está na hora de ligar seu cérebro, como Mikhail Gorbachev fez”, escreveu Jagland.

Isso pode significar que o combate entre os dois rivais noruegueses continuará.

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