Dois ex-governadores são investigados por desvios na Saneago

Dois ex-governadores de Goiás são alvos das investigações da Polícia Federal sobre fraude em licitações e desvio de dinheiro público da Companhia Saneamento de Goiás (Saneago). De acordo com o delegado Charles Gonçalves Lemes, ainda não é possível divulgar nomes já que o inquérito está em segredo de Justiça.

Lemes disse que a segunda fase da Operação Decantação, deflagrada hoje (28), em Goiânia e Aparecida de Goiânia, é resultado de análises de materiais apreendidos na primeira fase da operação, deflagrada em 2016.

“Ficou demonstrado de forma veemente que há um nicho de favorecimento a um grupo de três empresas de propriedade de um único casal. Tudo com o apoio de um servidor da Saneago que ocupava à época a direção da gestão corporativa da empresa e que foi alocada comprovadamente para defender interesses do ex-chefe de gabinete do ex-governador e dessas empresas”, afirmou.

São investigados dirigentes da empresa e agentes públicos do governo do estado, entre os anos de 2012 e 2016. 

De acordo com a PF, um ex-chefe de gabinete criou duas empresas de fachada em sua residência “para lavar o dinheiro desses contratos” que eram firmados com a companhia estadual.

Hoje, agentes cumpriram cinco mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão, expedidos pela 11ª Vara Federal de Goiás. Nas ações foram encontradas duas malas com cerca de R$ 1 milhão em espécie em cada. Uma estava em um carro do ex-chefe de gabinete do governo goiano e outra na residência da filha desse servidor que também é alvo da operação.

“A filha do ex-chefe de gabinete do governo que ocupava a chefia de comunicação da governadoria de Goiás junto ao Distrito Federal fez um saque de R$ 3 milhões em espécie enquanto tinha salário de R$ 3.700”, contou o delegado. As movimentações atípicas, consideradas incompatíveis com a renda da servidora ainda se repetiram em 2012 e em 2014, quando foram movimentados R$ 28 milhões em sua conta bancária.

Segundo Lemes, o prejuízo da Saneago “é estratosférico e inestimável”. O grupo de empresas era vencedor de todas as licitações realizadas pela companhia incluindo um contrato de alocação de máquinas no valor de R$ 32 milhões. “Alocação de máquinas não era o ramo de nenhuma dessas empresas e ainda assim elas venceram a licitação”, completou o delegado.

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