Dilma Rousseff sofre impeachment e deixa o governo

31 de agosto de 2016

O Dia

– Senadores decidirão se ela poderá ou não voltar à vida pública pelo prazo de oito anos, o que ela chamou de ‘morte política’ –

Brasília – Dilma Roussef sofreu impeachment nesta quarta-feira por decisão do Congresso Nacional. Entre os senadores, 61 votaram a favor do afastamento da então presidente e 20 contra. Não houve abstenções. Michel Temer assumirá efetivamente o governo do Brasil até as próximas eleições presidenciais. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski deu o resultado às 13h36. 

Uma votação vai decidir se ela sofre impeachment e outra se Dilma ficará afastada da vida pública por oito anos, o que classificou como “morte política”. A defesa de Dilma já preparou duas ações para recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o impeachment.  

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), irá convocar uma sessão do Congresso, a ser realizada na Câmara dos Deputados ainda nesta quarta-feira, para dar posse a Temer. A expectativa é de que seja uma cerimônia rápida, duas horas após a conclusão do julgamento, com a participação de ministros, parlamentares e outras autoridades.

A sessão que afastou Dilma teve início com Lewandowski apresentando considerações sobre acusação e defesa durante o processo. Em seguida, senadores fizeram questões de ordem antes da votação, que foi eletrônica, no painel, sem chamada nominal.

Lewandowski afirmou que seu papel foi de decisão sobre questões regimentais. “Desde o primeiro dia com que fui honrado com este encargo tenho procurado manter a máxima imparcialidade e coerência nas sessões”, afirmou ele. 

“Cometeu a acusada, a senhora presidenta da República, Dilma Vana Rousseff, os crimes de responsabilidade correspondentes à tomada de empréstimos junto à instituição financeira controlada pela União e à abertura de créditos sem autorização do Congresso Nacional, que lhe são imputados, e deve ser condenada à perda do seu cargo, ficando, em consequência, inabilitada para o exercício de qualquer função pública pelo prazo de oito anos?”, questionou Lewandowski. 

“É por ter minha consciência absolutamente tranquila que venho e digo com a serenidade dos que nada têm a esconder que não cometi os crimes dos quais sou acusada injustamente”, afirmou a presidente afastada em seu discurso de defesa na última segunda-feira. “Viola-se a democracia e pune-se uma inocente. Estamos a um passo da concretização de um golpe de Estado”, disse em outro momento.

Acusação e defesa

Nesta terça-feira, a advogada de acusação Janaína Paschoal se pronunciou e chegou a ir às lágrimas ao dizer que o processo de impeachment é também pelos netos de Dilma Rousseff. Mais tarde, após defender a então presidente afastada afirmando que muitas vezes os algozes têm “crise de consciência”, José Eduardo Cardozo também chorou ao falar para jornalistas, dizendo que não poderiam ter falado de Dilma como fizeram.

Classificando o impeachment como “remédio constitucional”, nesta terça, a Janaína afirmou que o processo foi baseado em: omissão diante do “escândalo do petrolão”, as pedaladas fiscais e os decretos editados em desconformidade com a meta vigente. “É necessário que o mundo saiba que não estamos tratando aqui só de questões contábeis”, afirmou.

Cardozo defendeu que as acusações contra Dilma são tão técnicas, sofisticadas e confusas, que a maior parte da população brasileira não sabe o motivo. “Querem afastar uma presidente sem que a população brasileira entenda o que está acontecendo”, afirmou.

Segundo ele, em Eduardo Cunha, a então oposição encontrou o vértice para mover o processo. “Tenho certeza que os senhores da oposição já conheciam quem era Eduardo Cunha, pois no mundo político tudo se sabe”, alfin

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