Dilma diz que confia em sua volta à Presidência e pede que deputados parem poder de Cunha

A presidenta afastada Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira(13) em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais que os deputados estão com a oportunidade de reorganizar a Câmara dos Deputados elegendo um novo presidente que não tenha ligações com o ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha.

Presidenta Dilma Rousseff durante entrevista no Palácio Alvorada

Para Dilma Rousseff é preciso interromper o controle de Cunha, e o primeiro passo será a eleição desta quarta-feira (13) com a participação de tantos deputados candidatos ao cargo.

“Hoje é um dia de uma grande conquista, que é possível uma grande conquista, porque sem sombra de dúvida as lágrimas era de cocrodilo. Há uma tentativa clara do controle de quem vai governar a Câmara por parte do Sr Eduardo Cunha. Ele quer controlar o processo mesmo fora da presidência e para isso construiu vários cenários. Eu acredito que a posição, aí não digo que é só do PT, mas de todos aqueles que tem um compromisso com a reconstrução do processo na Câmara passa necessariamente pela votação de uma pessoa de um deputado não ligado a Eduardo Cunha, que tenha independência em relação a Eduardo Cunha. Nós temos que interromper este processo (de controle de Cunha sobre os parlamentares). O primeiro passo, eu acredito é isso que hoje estamos vendo na Câmara, com grande quantidade de candidaturas e acho que dentro dessas candidaturas, nós vamos buscar aqueles que não aprovaram o processo de impeachment.”

José Eduardo Cardozo na Comissão de Impeachment
MARCELO CAMARGO/ AGÊNCIA BRASIL
Pró e contra Dilma

Afirmando que seu coração continua valente, mais ainda dolorido por conta da injustiça que está sofrendo, Dilma Rousseff disse que o momento ainda é duro, mas acredita em sua volta à Presidência da República. A presidenta criticou que entre os que há julgam existem pessoas que cometeram processos administrativos muito mais graves e sequer foi solicitada a abertura de processos.

“É um coração dolorido, porque ninguém que sofre uma injustiça como estou sofrendo deixa de ter consequências. É um momento duro, mas ao mesmo tempo eu acredito muito na minha volta. Eu não vou parar de lutar em todas as dimensões  e consequências. Está ficando cada vez mais claro que não só não existe crime de responsabilidade, como as acusações, elas não se sustentam.”

Sobre seu relacionamento com Michel Temer e Eduardo Cunha, a presidenta destacou que “a política aceita traição, mas detesta traidor”, enfatizando que não pretende encontrar Temer e Cunha, pois não vê ítem de diálogo possível com eles.

Ao ser questionada sobre qual a primeira atitude que irá tomar caso haja a reversão do processo do impeachment. Dilma Rousseff destaca que será preciso primeiro refazer a unidade do país, que está dividida.

“Inicialmente, nós vamos ter de recompor as condições democráticas do País. Significa construir junto com aqueles que me apoiaram um processo de refazer a unidade do país. O país está dividido, está em um processo em que as pessoas se sentem perplexas diante do que acontece, das medidas que este governo provisório e interino tomam. Algumas delas são mera continuidade que nós estávamos fazendo, outras no entanto, significam uma grande ruptura com os direitos coletivos e individuais das pessoas.”

Sobre a aproximação da etapa final do processo de impeachment, Dilma Rousseff disse que deve fazer pessoalmente sua defesa no Plenário.

“Eu penso em ir ao Plenário fazer minha defesa. Eu não fui a Comissão justamente pelo fato de que a Comissão é uma Comissão, não tem o conjunto dos senadores, e eu preciso do voto do conjunto dos senadores, não de parte dos senadores. Em que pese nós respeitarmos todo o processo que ocorre dentro do Congresso, o nosso interesse é falar para todos os senadores. É que essa oportunidade que eu tenho garantida pela legislação, eu vou utilizá-la.”

Dilma encerrou ressaltando que deseja a construção e a recuperação econômica do Brasil, mas que espera que a salvação nacional não seja a desse governo interino, que segundo ela, é o governo do “salve-se quem puder”.

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