Dengue: Alerta nas zonas Norte e Oeste

Francisco Edson Alves

– Jacarepaguá é o bairro com maior incidência. Áreas de São Cristóvão, Pavuna e Bangu não têm registros –

Rio – Moradores de bairros das zonas Norte e Oeste são os que mais sofreram com ocorrências de dengue este ano no Rio, que contabilizou, de 1º de janeiro até o dia 12 deste mês, 24.798 casos, segundo levantamento da Coordenação de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Nenhuma morte, porém, foi registrada este ano, segundo a secretaria. Entre os dez bairros com situação mais crítica, Jacarepaguá aparece em primeiro lugar, com 1.894 registros. Bangu vem em segundo, com 1.748, seguido por Santa Cruz (1.284); Complexo do Alemão (1.260);Realengo (1.238);Senador Camrá(1.050); Barra da Tijuca (908); Irajá (886); Inhaúma e Pavuna (ambos com 698 casos).

O medo dos moradores é que a possível epidemia de chikungunya, que poderá ocorrer no próximo verão, conforme alertam pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), seja pior nessas áreas.

“Os rios que desaguam na Lagoa da Baixada de Jacarepaguá são valões de lixo e esgoto. Como já foi amplamente divulgado, o Aedes aegypti (mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika), se reproduz nesse cenário degradante também e não mais só em água parada e limpa. Fora a quantidade absurda de lixo espalhado pelas ruas”, justifica o funcionário público Jocelino Dantas,de Jacarepaguá.

Em nota, a SMS informou que redobra a atenção para a importância das campanhas. “A SMS realiza um trabalho permanente de combate e prevenção da dengue, com ações de rotina durante o ano, mesmo nos meses de menor incidência da doença”, garante a secretaria.

Segundo a nota, com a expansão da rede de Atenção Primária, que saiu em 2008 de 3,5% de cobertura da Estratégia Saúde da Família para os atuais 55,6%, as ações de prevenção e orientação da população para a eliminação dos focos do Aedes aegypti também foram ampliadas. “A última epidemia de dengue no município ocorreu em 2012, com 130.412 casos. Todos os cuidados e ações são permanentemente realizadas, visando a prevenção dos casos pela eliminação dos criadouros do mosquito”, ressalta o documento.

Pelos dados da SMS, algumas localidades não apresentaram caso: Barreira do Vasco, em São Cristóvão; Parque Colúmbia, na Pavuna; Grumari, na Barra; e Gericinó, em Bangu. A secretaria informou que a aspersão de inseticida por fumacê é realizada por critérios técnicos, baseados na avaliação de agentes de vigilância ambiental. “O uso indiscriminado de inseticida é contraindicado, pois pode causar danos à saúde e desequilíbrio ambiental”.

Estado já tem 75,2 mil casos da doença

Segundo a Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde (SES), de 1º de janeiro a 23 de agosto deste ano, foram notificados 75.242 casos suspeitos de dengue no estado, com quatro óbitos. Também foram notificados 13.056 casos suspeitos de chikungunya e 63.237 de zika no mesmo período.

Este ano, o pico da transmissão da dengue no estado ocorreu entre 27 de março a 2 de abril, com a notificação de 4.630 casos. Quando comparado com o período de 14 a 20 de agosto, na qual foram notificados 11 casos de dengue, a redução foi de 99,76%. Os números foram compilados a [3]partir de dados inseridos no Sistema Nacional de Agravos de Notificação.

“Mas a população não deve se iludir. É justamente na primavera que o mosquito mais tende a se reproduzir, com a elevação da temperatura e chuvas”, adverte o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio da Cunha.


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