Delegada indicada por Moro diz que ainda há pessoas dispostas a roubar

23 de novembro de 2018

A delegada Erika Marena, superintendente da Polícia Federal em Sergipe, disse hoje (23) que uma das heranças da Lava Jato é um  governo que seja comprometido com o combate à corrupção, fortalecendo as instituições que lidam com esta área, com recursos humanos, materiais e legislativos adequados. “Ainda há muitas pessoas dispostas a roubar este país”, disse a delegada escolhida pelo futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, para ser a chefe do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional.

Erika Marena entrou para a Polícia Federal em 2003 e, no ano seguinte, já estava em Curitiba, fazendo parte da equipe que trabalhou no Caso Banestado. “O Paraná havia se convertido numa grande lavanderia nacional”, contou durante palestra no Rio de Janeiro no Simpósio Nacional de Combate à Corrupção, organizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal.

O Caso Banestado, que ela considerou a grande Lava-Jato daquela década, mostrou que existe um grupo de pessoas que foram presas naquela época e que são muito valorizados no mercado. Elas são as responsáveis pela lavagem de dinheiro. Uma vez que as operações envolvem uma quantidade muito grande de dinheiro sujo. 

“Há uma demanda por lavagem muito grande. Seja para lavar o dinheiro, ou seja para usufruir do dinheiro sujo. Então a demanda por estes profissionais é muito grande”, lembrando que eles voltam ao mercado mesmo depois de passarem um tempo presos.

A delegada lembra que o Caso Banestado mostrou que é preciso um estrangulamento econômico para combater o crime organizado. “Aquela investigação mostrou para nós que dinheiro sujo se comunica e, se você investiga, vai achar todas as ramificações”.

A delegada disse que a corrupção desequilibra o jogo democrático, pois políticos corruptos passam a ter mais chances, como também o jogo econômico, já que, segundo ela, desequilibra a chance de concorrência no mercado. “Precisamos que as nossas instituições funcionem com liberdade, sem ingerências políticas ou partidárias”, afirmou.

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