Crise na região de Sobradinho se agrava

Antevendo um possível colapso já a partir de dezembro, co Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS), solicitou, em caráter deurgência, a redução da vazão de água da Barragem de Sobradinho, no Rio São Francisco, de 800 para 700 metros cúbicos por segundo (m³/s). Já a Chesf anunciou, em nota, que responde na manhã de hoje as condicionantes ambientais definidas pelo Ibama para a diminuição da vazão. A autorização atual para redução da vazão tem validade até o dia 31.

Sobradinho está apenas com 8,2% do seu volume útil  de água acumulada. Com a vazão diária em torno de 800 m³/s, deverá chegar ao volume morto no início de dezembro, quando suas turbinas geradoras de energia terão que ser desligadas. O lago da barragem responde por 60% da geração de energia na Região Nordeste e possui uma capacidade de acumulação de 34 bilhões de metros cúbicos de água, dos quais aproximadamente 28 bilhões são considerados volume útil.

O diretor de Operações da Chesf, João Henrique de Araújo Franklin,  reclamou da judicialização do processo. Segundo ele, tramitam na Justiça, atualmente, cerca de 2.500 processos referentes a essa questão.

A diminuição da vazão de água na Barragem de Sobradinho enfrenta resistência de produtores rurais situados abaixo da represa, nos estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Aproximadamente 2.500 processos contra essa redução tramitam na Justiça federal.Segundo a nota da Chesf, a empresa vem informando a população sobre a possível redução da vazão do Rio São Francisco, para que possam se adequar a essa  nova situação.

De acordo com Franklin, a vazão reduzida minimiza o impacto para os usuários. “Se não houvesse esse processo, as vazões seriam de 500 ou até de 400 metros cúbicos por segundo. A nossa intervenção é para atender aos usuários, especialmente ao abastecimento humano, porque o setor elétrico tem outras formas para geração de energia”, disse. 

Imprescindível
Conforme explicou o diretor de Segurança Hídrica da Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS), Marcelo Abreu, a redução da vazão torna-se imprescindível para garantir o abastecimento de pelo menos cinco cidades – Casa Nova, Sento Sé, Pilão Arcado, Sobradinho e Remanso – que ficam no entorno do lago, e duas outras – XiqueXique e Itaguaçu – que dependem do Rio São Francisco para o abastecimento da população. Com a baixa do lago, a distância para captação chega a 10 quilômetros..

Até ontem, conforme os dados da Agência Nacional de Água (ANA), para cada 500 metros cúbicos de água de afluência na barragem, 800 saiam pelas comportas, gerando um déficit de 300 m³/s. “Nessa velocidade o volume chegará a zero em dezembro e poderá comprometer todo abastecimento de água em 2017”, diz.


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