Crise encolhe Shopping Liberdade

Contrastando com a situação ainda confortável do comércio de rua na sua vizinhança, o Shopping Liberdade, inaugurado em 13 de março de 1981 e que proporciona uma das mais belas vistas da Baía de Todos os Santos (região do Porto até Humaitá), passa por momentos bastante difíceis, o que já provocou o fechamento de diversas lojas. De acordo com funcionários, faltam atrativos, pois os único chamariz são órgãos públicos, como Coelba, SAC e Embasa, que funcionam no último piso. A própria administração reconhece que 60% das lojas estão fechadas.

Em uma das três lanchonetes que funcionam no térreo, uma funcionária, que preferiu ficar anônima, disse que “tinha que ter algo aqui para chamar mais a atenção, um happy-hour com música ao vivo, algo assim. Temos uma linda vista para a Baía de Todos os Santos e se houvesse mais promoção, a gente ia ter mais clientes.” A lanchonete funciona das 9 às 20 horas, mas o movimento tem caído  muito. No sábado, que deveria ser um dia de mais presença, também há pouca gente, completa a funcionária.

Eleonora Campos da Silva, que reside próximo ao shopping, confessa: “Amo o Shopping Liberdade e esta linda vista, mas acho que os lojistas daqui, aqueles que ainda resistem, têm que ter consciência das dificuldades e cobrar preços mais barato. Meu filho, por exemplo, comprou um pen drive aqui e pagou R$ 30. Logo quando saiu, encontrou o mesmo pen drive, em frente, por R$ 10.”

PRATO DO POVO
Carlos Luis Gomes, comerciante que tem negócio próximo ao shopping, atribui parte das dificuldades do shopping à concorrência do comércio de rua: “Mas não é só camelô nem feirante de rua que tira cliente do shopping. Na verdade, tem a crise. Aliás, a crise está tão forte que já vi comerciantes do shopping almoçando no Prato do Povo, restaurante popular, para pagar R$ 1 por um PF.”

Na verdade, a visão no interior do shopping é triste, em contraste com a vista que se descortina de lá. Há notoriamente pouco movimento, lojas fechadas, e só se vê movimentação maior em farmácias, laboratório de exames médicos e numa clínica odontológica.

Administração pretende criar campanhas e anunciar descontos

 Gerente geral do Shopping Liberdade, Danielli Cardoso reconhece o movimento fraco, mas garante que a administração está tomando diversas medidas para retomar o público. “O ideal seria termos aqui uma grande âncora, mas elas  só podem se instalar em shoppings maiores, a partir de espaço com mil metros quadrados.”

Ela calcula que cerca de 60% das lojas estão fechadas, o que, “realmente, proporciona um aspecto de falência, mas não deixa de ser resultado do que está acontecendo com  o comércio em praticamente todo o país. Temos segurado um pouco tentando a redução de gastos, até mesmo diminuindo o número de funcionários.”

No entanto, Danielli enumera algumas campanhas cujos projetos estão sendo finalizados e deverão ser postas em prática com rapidez. Por exemplo, o Projeto Casa Cheia, visando “repovoar o shopping”, com preços mais em conta nas lojas e redução dos valores dos contratos de aluguel – que pode chegar a 40%, “ sendo que já, atualmente, alguns proprietários de lojas nem cobram mais aluguel, só o condomínio.”

Mesmo assim, ela garante que a shopping recebe cerca de 20 mil pessoas por mês, o que equivaleria, segundo seus cálculos, a algo em torno de 10% da população do bairro. “As classes C e D são clientes fieis e até hoje consomem aqui e nosso projeto tem como alvo atrair mais este pessoal.”

Outro projeto visa a promover as artes e atividades culturais em geral como atrativos: “Por exemplo, apresentação em festas juninas, semana da criança, dia dos pais, Natal. Também vamos divulgar mais a segurança do nosso estacionamento e a bela vista que temos para a Baía de Todos os Santos,”, conclui Danielli.

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