Congresso ensina técnica francesa de tratamento de varizes

15 de novembro de 2018

O Rio de Janeiro sedia a partir de hoje (15) o 1º Congresso de Flebologia Francesa e Brasileira (Phleborio 2018), que vai discutir como as varizes podem estar associadas a problemas como embolia pulmonar, infertilidade e até câncer, em mulheres e homens. A flebologia é o ramo da medicina que estuda a anatomia e as doenças das veias.

O Phleborio 2018 traz para o Brasil o curso teórico de formação em flebologia, voltado para angiologistas e cirurgiões vasculares, sobre o uso da técnica francesa de tratamento de varizes com espuma densa, guiada por aparelho de ultrassonografia. Essa técnica é indicada para varizes de grosso calibre, como veia safena interna e externa, veias perfurantes e colaterais insuficientes em planos anatômicos subcutâneos.

O especialista em flebologia pela Université Pierre & Marie-Curie de Paris e presidente do congresso, o cirurgião vascular e angiologista brasileiro Kennedy Gonçalves Pachêco, disse à Agência Brasil que essa técnica é usada no país inteiro, mas os médicos não seguem a única escola oficial do mundo, que é a francesa.

Pachêco informou que a escola francesa diverge da escola anglo-saxônica desde 1944 porque, ao contrário dos ingleses que optam pela cirurgia, os especialistas franceses preferem não operar. “Em vez de arrancar uma veia, a gente entra dentro dela, coloca um remédio e elimina aquela veia”, disse.

Segundo ele, essa técnica é chamada escleroterapia, que significa endurecer veia. Esta é uma das novidades no campo do tratamento de varizes de membros inferiores, sem cirurgia, sem internação, sem anestesia”, acrescentando que o tratamento oferece bons resultados, com baixas complicações.

Testículos e ovários

Outra novidade que o evento abordará é a existência de varizes ao lado dos ovários e dos testículos. Os primeiros trabalhos já publicados no mundo demonstram que todo paciente que tem câncer ou tumor de próstata, hiperplasia (aumento do tamanho de um órgão) ou urgência urinária tem varizes ao lado dos testículos. “Os trabalhos mostram que, ao tratar das varizes, a próstata diminui de volume, os hormônios normalizam, desaparecem os sistemas desconfortantes de noctúria, que é levantar de cinco a oito vezes à noite para urinar”.

Kennedy Pachêco revelou que de seis pacientes de um projeto-piloto tratados de varicocele (dilatação das veias do cordão que sustenta os testículos) e que tinham câncer, cinco ficaram negativos para célula cancerígena. O congresso pretende mostrar aos departamentos médicos brasileiros que aquelas varizes que causam inchaço ou úlceras na perna, mudança de cor da pele, da mesma forma que provocam alterações na perna, provocam na próstata também e isso podendo repercutir em doenças. “Esse é o grande assunto”, disse o médico.

Técnica mista

Como a técnica é nova, os especialistas franceses e brasileiros em flebologia pretendem mudar o modelo existente, introduzindo a técnica mista que usa a espuma densa e uma mola metálica. “É como se você colocasse cimento com ferro para fazer uma cicatrização sólida. A gente coloca a espuma porque depois que o efeito causa uma inflamação para depois destruir [a varize], no processo de cicatrização pode haver uma recanalização. Para não haver reabertura, a gente coloca junto uma mola metálica, que continua estimulando indefinidamente para levar a uma completa cicatrização e desaparecimento da varizes naquele local indesejado”.

A ideia é levar essa técnica para as universidades e departamentos médicos, visando estimular mais pesquisas. Kennedy Pachêco destacou que, nos homens, já está provado que a presença de varizes junto dos testículos pode levar à infertilidade. A discussão agora é se as varizes ovarianas, isto é, as varizes existentes nos ovários femininos, podem levar também à infertilidade. Durante o congresso, serão apresentados diversos relatos de literatura de pacientes que foram tratadas de varizes e engravidaram.

Risco para câncer

O presidente do evento sublinhou que a infertilidade aumenta o risco para câncer, tanto no homem como na mulher. Experiências feitas por Pachêco mostram que em pacientes com endometriose (crescimento anormal de tecido fora do revestimento uterino), a taxa de infertilidade é muito alta e também a taxa de transformação em câncer.

Ele sustentou a necessidade de serem feitas mais pesquisas sobre as varizes ovarianas pelas alterações que podem produzir nas mulheres. Essa é a grande novidade do congresso, disse o especialista: “Varizes ao lado dos testículos e dos ovários mudam a forma e a função do reloginho masculino e feminino”.

O evento englobará, no dia 15, o Encontro Multidisciplinar de Ginecologia, Endocrinologia, Urologia e Angiologia. Nos dias 16 e 17, será promovido o Curso Teórico de Formação em Flebologia Francesa e Brasileira, voltado para angiologistas e cirurgiões vasculares.

Kennedy Pachêco informou ainda que para os médicos que participarem do curso teórico e desejarem se aprofundar no assunto, haverá uma etapa prática, com duração de seis dias, visando treinar os profissionais a executarem corretamente o método francês em seus consultórios. Para os médicos que desejarem ampliar ainda mais o seu treinamento, será oferecido um estágio prático em consultórios no Brasil e na França.

 

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