Comissão vai monitorar intervenções das Forças Armadas no Rio

24 de agosto de 2017

Homens das Forças Armadas durante Operação Dose Dupla, em Niterói

Homens das Forças Armadas durante Operação Dose Dupla, em Niterói (Divulgação/Estado Maior Conjunto/CML)

Especialistas em segurança pública e integrantes da sociedade civil criaram hoje (24) uma comissão para monitorar e diagnosticar o impacto das intervenções das Forças Armadas no Rio de Janeiro. As ações federais no estado começaram no final de julho, por meio de decreto presidencial, que autorizou o emprego das Forças Armadas para a garantia da lei e da ordem no estado. A operação tem previsão de encerrar no fim de 2018.

O antropólogo e diretor do Viva Rio Rubem Cesar Fernandes explicou que o grupo fará pesquisas qualitativas e quantitativas com moradores dentro e fora das comunidades, polícias, igrejas e governantes, entre outros, e agregar valor às ações militares com sugestões responsáveis.

“Também queremos acompanhar esse processo com ideias e sugestões para melhorar as condições do trabalho das polícias e das instituições policiais. Vamos estudar também casos no Brasil e no mundo em que se melhorou a situação da segurança pública, como ocorreu na Colômbia”, disse.

Na primeira conversa do grupo, que passa a ser mensal, ativistas sociais, pesquisadores e empresários demonstraram preocupação com a falta de transparência das ações e metas do governo com a operação.

Para a coordenadora do Programa Parceiros da Segurança Pública do Instituto Igarapé, Florencia Robalinho, sem que as polícias no Rio de Janeiro passem por uma reforma estruturante, qualquer intervenção só terá impacto no curto prazo.

“Precisamos entender quais são os objetivos dessas ações, para produzir dados concretos sobre o impacto dessa operação. Para nós, o mais importante é que esta não seja apenas mais uma intervenção, mas que permita estruturar nossas forças policiais”, defendeu. “É preciso resolver nosso problema mais evidente, que é o sucateamento, a falta de modernização e profissionalização da nossa Polícia Militar”.

Para o diretor da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, a falta de diálogo com as comunidades atingidas pelas intervenções por parte das autoridades prejudica o sucesso das ações. “Do ponto de vista do pobre, intervenção representa que estão entrando na minha casa. Então, quero saber como vão entrar. Isso demanda um protocolo que deve ser construído com a comunidade. Quero meta, quero cronograma, quero prestação de contas e interlocução”, disse.

“Além disso, quero saber que políticas públicas serão implementadas depois, para não vivermos um dejá-vu, lembrar de operações em anos anteriores que nos remeteram a esse caos. Os moradores de comunidades e os policiais estão perdidos e precisam de mais esclarecimentos”, questionou.

No primeiro dia da implantação do Plano Nacional de Segurança no Rio de Janeiro, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou que as demandas para as operações seriam passadas pela Secretaria de Estado de Segurança. Ele ressaltou que compete à União combater o comércio de drogas, tráfico de armas, tráfico de pessoas e crimes de colarinho branco.

Para a implantação plano, foram acionados 8,5 mil militares das Forças Armadas, 620 integrantes da Força Nacional de Segurança e 1.120 da Polícia Rodoviária Federal, sendo que 380 vieram de outros estados.

 

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