Centenas de migrantes são retirados de campo de Idomeni, em Lesbos

Migrante com seus filhos carrega pertences na saída do campo de Idomeni, em Lesbos, na Grécia (Foto:  Yannis Kolesidis/AFP)Migrante com seus filhos carrega pertences na saída do campo de Idomeni, em Lesbos, na Grécia (Foto: Yannis Kolesidis/AFP)

A polícia grega retirou nesta terça-feira (24) centenas de migrantes do campo de Idomeni, na fronteira com a Macedônia, onde há meses se amontoam milhares de pessoas que fogem das guerras e da miséria.

A operação começou ao amanhecer e, por volta das 15h30 locais (9h30 de Brasília), 1.500 pessoas, das 8.400 instaladas no campo, haviam sido levadas em ônibus a centros de acolhida em Salônica, 80 km ao sul.

“Tudo está saindo bem, graças a Deus. Inclusive melhor que o esperado”, disse à AFP uma fonte policial em Atenas.

Migrantes saem do campo de Idomeni, em Lesbos, na Grécia (Foto: Yannis Kolesidis/Reuters)Migrantes saem do campo de Idomeni, em Lesbos, na Grécia (Foto: Yannis Kolesidis/Reuters)

O superpovoado e caótico campo de Idomeni se transformou em símbolo do sofrimento de milhares de pessoas que fogem de países do Oriente Médio, da Ásia e da África e mergulham a Europa em sua pior crise migratória desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Os meios de comunicação não conseguem acessar a área, protegida por barreiras policiais instaladas a três quilômetros do campo, com exceção das equipes da televisão pública Ert 1 e da agência estatal ANA, que mostravam imagens de migrantes esperando a transferência.

Alguns acenavam para as câmeras e muitos carregavam seus pertences em sacos de lixo ou os empilhavam em carrinhos de bebês, sob a vigilância a certa distância de policiais de uniforme azul e capacete branco.

As autoridades indicaram que dariam prioridade a menores sozinhos ou a famílias monoparentais.

Um inverno extenuante

Com as chuvas de inverno, o campo de Idomeni se transformou em um lamaçal  (Foto: Kostas Tsironis/Reuters)Com as chuvas de inverno, o campo de Idomeni se transformou em um lamaçal (Foto: Kostas Tsironis/Reuters)

A saída ocorre depois de um inverno com chuvas gélidas que converteram o local em um lamaçal, e de várias tentativas de forçar as passagens fronteiriças, que levaram a confrontos com a polícia da Macedônia.

A onda migratória também provocou tensões com os agricultores e perturbações no tráfego ferroviário em direção ao norte da Europa, devido a bloqueios nas vias durante manifestações de protesto dos refugiados.

“Estavam cansados, provavelmente perceberam que a fronteira não seria aberta”, disse a fonte policial.

Criança em cadeira de rodas sai do campo de Idomeni; ao fundo, policiais supervisionam a operação (Foto: Yannis Kolesidis/AP)Criança em cadeira de rodas sai do campo de Idomeni; ao fundo, policiais supervisionam a operação (Foto: Yannis Kolesidis/AP)

De acordo com a polícia local, 100 migrantes decidiram não ir aos centros de acolhida e se dirigiam a Salônica a pé.

As organizações humanitárias denunciaram em várias ocasiões as deploráveis condições sanitárias e de segurança no local.

A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) anunciou o envio de equipes suplementares para ajudar no processo de evacuação.

“É importante que os deslocamentos organizados sejam voluntários, não discriminatórios e que os indivíduos disponham de informações sobre suas opções”, disse o porta-voz da ACNUR em Genebra, Adiran Edwards.

Campo superpovoado

Migrantes que viviam em Idomeni são transferidos para outros campos em ônibus (Foto: Alexandros Avramidis/Reuters)Migrantes que viviam em Idomeni são transferidos para outros campos em ônibus (Foto: Alexandros Avramidis/Reuters)

Idomeni foi aberto no ano passado por grupos de ajuda humanitária para receber, no máximo, 2.500 pessoas em sua viagem para outros países da Europa.

Mas o campo chegou a abrigar mais de 12.000 pessoas – principalmente sírios, iraquianos, iranianos e pessoas procedentes do Magreb -, depois que os países dos Bálcãs fecharam suas fronteiras em fevereiro, com o objetivo de frear o fluxo intenso de migrantes por seus territórios.

Nas últimas duas semanas, 2.500 pessoas já aceitaram deixar o local e cerca de 800 as imitaram no domingo e na segunda-feira, quando já circulavam rumores sobre a iminência da evacuação.

O porta-voz do serviço grego de coordenação da crise migratória, Giorgos Kyritsis, indicou que a operação pode levar dez dias. Em declarações à Ert 1, encurtou este prazo a uma semana.

Funcionários gregos disseram que os centros de acolhida instalados até o momento em uma antiga zona industrial perto de Salônica podiam receber até 6.000 pessoas.

Muitos migrantes são mulheres e crianças desesperados para se reunir com seus maridos e pais que partiram antes, pagando traficantes, com a esperança de se instalar em algum país da União Europeia com melhores perspectivas econômicas que a endividada Grécia.

O governo de esquerda do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, tenta há meses persuadir os migrantes a abandonar Idomeni e insiste em enfrentar a crise evitando o uso da força.

Segundo dados oficiais de Atenas, 54.000 migrantes estão atualmente bloqueados na Grécia.

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