Casos de papeira sobem de 53 para 101 em oito meses

O surto de papeira tem se espalhado por várias cidades brasileiras, inclusive em Salvador, causando preocupação da população. Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, de Janeiro a Agosto/2016 foram notificados 101 casos de papeira na capital baiana, enquanto no mesmo período do ano passado foram notificadas 53 ocorrências da patologia. “Foram registrados sete casos de caxumba (papeira) sem complicações:  duas unidades de empresa de telemarketing (68 casos), duas escolas (19), uma república de estudante (5 casos) e um hospital (9 casos)”, informou o órgão. 

Nos casos graves, a doença pode causar surdez, meningite e, raramente, levar à morte. Após a puberdade, pode causar inflamação e inchaço doloroso dos testículos (orquite) nos homens ou dos ovários (ooforite) nas mulheres e levar à esterilidade. Por isso, é necessário redobrar a atenção nestes casos e ter acompanhamento médico.

De acordo com uma pesquisa realizada na base de dados DATASUS, o Brasil registrou, entre 2008 e 2015, 2.117 casos de papeira. Em 2015, observa-se que a incidência de casos (391) aumentou mais de 80%, quando comparada com o ano de 2008 (213). O aumento do número de casos de papeira é notado, principalmente, em crianças de 1 a 4 anos (635 casos de 2008 a 2015, sendo 51 em 2008 e 120 em 2015). 

O estudante Matheus da Silva pegou a doença no mês passado e passou por um repouso intenso. “Foi horrível, fiquei em casa de molho uma semana, trancado no quarto sem fazer nada”, disse. Ele lembrou que, por recomendação médica não teve contado com ninguém, pois segundo a médica que lhe atendeu na UPA de São Cristovão, o período de contágio da papeira, pode ir de sete dias antes até nove dias depois do aparecimento da Parotidite (inflamação da Parótida). “Ela disse que o período de maior infectividade (risco de contágio) é entre 1 dia antes e 5 dias após o aparecimento da Parotidite”, contou.

VACINAÇÃO
Todos os 117 postos básicos de saúde da rede municipal estão abastecidos com a vacina que protege contra a doença. A imunização (tríplice e tetraviral) faz parte do calendário básico da criança. Deve ser aplicada em bebês, em duas doses aos 12 meses e 15 meses. “No entanto, pessoas com até 49 anos que não tomaram as doses necessárias no período preconizado podem buscar o serviço de saúde para serem protegidas gratuitamente com a tríplice viral e jovens entres dois e 19 anos podem ser imunizadas observando um intervalo de 30 dias entre as duas doses”, explicou a SMS, em nota.

A doença tem um período de incubação de duas ou três semanas. “Seus primeiros sintomas são febre, calafrios, dores de cabeça, musculares e ao mastigar ou engolir, além de fraqueza. Uma das principais características da papeira é o aumento das glândulas salivares próximas aos ouvidos, que fazem o rosto inchar”, explicou a infectologista Jacy Andrade, professora da faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. 

A especialista ressaltou que as pessoas devem se vacinar, pois a doença pode ser assintomática. “Ela tem a papeira, mas não desenvolve os sintomas e acaba por contagiar outras pessoas sem saber”, esclareceu, lembrando que, é preciso, ainda, desinfectar os objetos contaminados com secreções do nariz, da boca e da garganta do enfermo. “A caxumba é uma doença de via respiratória transmitida por gotícula de saliva, causada pelo vírus Paramyxovirus”, advertiu a infectologista. 


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