Cardozo nega acordo para manter direitos políticos de Dilma

31 de agosto de 2016

Agência Brasil

– Para o advogado, a retirada do direitos políticos da ex-presidente significaria o ‘esquartejamento político’ –

Brasília – Advogado de defesa da presidenta cassada Dilma Rousseff, o ex-ministro José Eduardo Cardozo considerou nesta quarta-feira “absurda” a acusação feita por líderes do PSDB de que houve um acordo entre aliados da ex-presidenta e o PMDB na votação que manteve os direitos políticos de Dilma.

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), afirmou que houve um acordo entre PT e PMDB envolvendo a cassação do ex-presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Essa foi uma desculpa retórica daqueles que queriam agredir Dilma Rousseff de todas as formas possíveis”, disse Cardozo.

“É um absurdo. Quem fez acordo com o Eduardo Cunha foi a oposição. O PSDB apoiou Eduardo Cunha para a presidência da Câmara e a Dilma foi contra. O PSDB discutiu com Eduardo Cunha o início do processo de impeachment e Dilma, obviamente, foi contrária a isso. O PT, ao não dar os votos para Eduardo Cunha, determinou a represália e a vingança do ex-presidente da Câmara. É evidente que é um argumento completamente inconsistente”, acrescentou o ex-ministro.

Para Cardozo, a retirada do direitos políticos de Dilma Rousseff significaria o “esquartejamento político” dela. “Função pública, no sentido que a Constituição dá, é muito mais ampla. E pega qualquer situação, inclusive cargos públicos. [A retirada dos direitos político] é um desejo condenatório de eliminar um adversário político. No fundo, há pessoas que temem pelo reconhecimento da injustiça que foi cometida aqui. Quem teme a comprovação da injustiça prefere o esquartejamento político de Dilma Rousseff e não apenas a morte [política]”.

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