Cade recomenda rejeição da compra da Votorantim pela ArcelorMittal

5 de setembro de 2017

A Superintendência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou hoje (5) a rejeição da compra da divisão de siderurgia do Grupo Votorantim pela empresa belgo-indiana ArcelorMittal. O caso ainda será julgado pelo plenário do órgão.

Segundo o parecer emitido hoje (5), os técnicos do Cade entenderam que a operação afeta os mercados nacionais de diversos produtos de aço, como insumos para siderúrgicas, vergalhões, treliças de arame e compra de sucata. De acordo com o Cade, a fusão das duas das três principais fornecedoras de aços longos comuns do país eliminaria um competidor relevante em um segmento onde as três maiores empresas detêm mais de 80% da oferta do mercado.

O parecer ressaltou ainda que a dimininuição da demanda de aço decorrente da atual crise econômica elevou a capacidade ociosa das empresas já consolidadas, tornando improvável a entrada de novos concorrentes após a fusão.

Para a Superintendência do Cade, existem indícios robustos de que a operação acarretaria aumento da probabilidade de conluio nos mercados analisados, estimulando a formação de cartel no mercado nacional de aços. Eles também constataram que a compra da Votorantim pela ArcelorMittal aumentaria o poder da nova empresa para reduzir o preço da compra de sucata na Região Sudeste, prejudicando as empresas de pequeno porte que fornecem o produto para as siderúrgicas.

Por meio de petições e ofícios enviados ao Cade durante a análise do ato de concentração, a ArcelorMittal informou que dispõe de estudos técnicos que indicam que a compra da Votorantim não resultará em aumento de concentração de mercado. A Votorantim informou que o mercado de sucatas deve ser analisado nacionalmente, não apenas no Sudeste.

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