Braga Netto e Mandetta evitam comentar reunião que decidiu permanência do ministro e falam em 'união'

BRASÍLIA – O ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, disse nesta terça-feira que a resposta sobre a permanência do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no cargo foi a presença dele em entrevista coletiva realizada no fim da tarde no Palácio do Planalto, em “um relacionamento cordial com todos os ministros”. Braga Netto foi questionado se pode garantir que Mandetta continuará no posto durante o combate ao novo coronavírus e sobre a reunião comandada na véspera pelo presidente Jair Bolsonaro, com todos os ministros, e disse que o assunto do encontro não foi a demissão do ministro da Saúde.

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– Bem objetivamente para você, a reunião de ontem foi uma reunião rotineira de ministros. O presidente tem o direito de convocar uma reunião de ministros, e o assunto que foi tratado lá é um assunto que vai ficar somente na reunião interna lá dos ministros. O assunto não foi, eu garanto pra você, a demissão do ministro Mandetta. E a resposta à sua pergunta do ministro Mandetta, está aqui o ministro Mandetta num relacionamento cordial com todos os ministros e a palavra de união que foi dita antes pelo próprio presidente do Banco Central [Roberto Campos Neto]. Essa é a posição do governo – declarou o chefe da Casa Civil, que acumula o comando do gabinete de crise do governo federal contra a Covid-19.

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Indagado sobre a reunião que marcou sua manutenção no cargo, depois de Bolsonaro decidir demiti-lo, como revelou O GLOBO, Mandetta reforçou o que disse no dia anterior sobre a divergência de opiniões, e defendeu a união no enfrentamento à doença, sem olhar para o “retrovisor”.

– Eu acho que é por esse caminho. Tudo o que nós estamos precisando agora, gente, é união, tudo o que a gente está precisando agora é participação de todos, foco. É normal, às vezes, você olha… ninguém consegue numa situação dessas ter um olhar só de um ângulo. No Ministério da Saúde, a gente tem dúvidas, tudo o que eu sei é que nada sei, que nós vamos fazer o nosso melhor. Isso é o nosso mantra, e às vezes as pessoas têm opiniões divergentes. E é normal que tenham – respondeu o ministro da Saúde, que na semana passada foi acusado por Bolsonaro de não ter humildade.

Mandetta disse ainda que há no governo “um conjunto de cabeças muito qualificadas, que pensam juntas, que ontem fizeram um exercício coletivo” e estão na administração pública para trabalhar e fazer o melhor serviço.

– Para que a gente possa atravessar esse momento de dificuldade para todos nós. Todos nós. E unidos em torno de tentar fazer com que a população brasileira, que vai sofrer, vai passar por dias duros, eu já tinha dito isso para todos, são semanas duras na parte de saúde, depois serão tempos duros na parte de economia, tentar minimizar ao máximo isso, com o esforço de cada um que está aqui dentro – disse.

Ele concluiu defendendo que “a gente tem que andar pra frente, olhar pra frente”.

– Isso é uma experiência que a gente tem que olhar pelo para-brisa, pra frente, usar pouco o retrovisor e vamos olhar pra frente, vamos tocar esse barco nosso chamado Brasil aí juntos. Eu acho que também a imprensa pode ajudar muito. Eu acho que é isso, acho que é nesse sentido e vamos trabalhar – afirmou Mandetta. (Gustavo Maia, Leandro Prazeres, Renata Mariz e André de Souza)

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