Baianos já esperavam prisão de Eduardo Cunha

20 de outubro de 2016

Presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, onde teve início o processo que levou à cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o baiano José Carlos Araújo (PR) não escondeu sua satisfação pela prisão do ex-presidente da Câmara e agora deputado cassado. Araújo revelou certa frustração, pois esperava que Cunha fosse cassado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) enquanto ainda era deputado, por causa das sucessivas denúncias contra ele na Operação Lava Jato, incluindo as de que ele ocultou contas bancárias na Suíça, onde a Justiça acredita que ele mantinha dinheiro de propina proveniente do esquema de corrupção que acometeu a Petrobras. 

“O Supremo não prendeu, o Moro agora prendeu. A prisão já era esperada. Tudo tem seu tempo. Chegou a vez dele. Ele usou o poder para pressionar. Eu fui pressionado muitas vezes pelo seu poder. Ele tentou me tirar da presidência do Conselho de Ética e fez todas as manobras possíveis”, disse o deputado José Carlos Araújo ontem, logo após a prisão de Eduardo Cunha em Brasília (já foi transferido para Curitiba-PR ontem mesmo). 

Líder do PSDB na Câmara dos Deputados, o também baiano Antônio Imbassahy (que sempre comemora prisões e denúncias contra petistas) soltou uma nota tímida à imprensa, por meio da qual disse que o fato não gerou nenhuma surpresa. “Já era de certa forma esperada, diante da quantidade de denúncias e da gravidade dos fatos a ele atribuídos. É mais um passo da Operação Lava Jato e cabe agora à Justiça, no vigor do regime democrático de Direito, realizar o julgamento final”, disse Imbassahy.

 Antigo aliado de Eduardo Cunha e pioneiro no movimento de rompimento do PMDB com a presidente eleita Dilma Rousseff (deposta por meio de impeachment), o deputado Lúcio Vieira Lima foi contatado pela Tribuna, mas não quis comentar a prisão do correligionário. Ele respondeu à reportagem por mensagem que não podia atender nem comentar nada porque estava numa reunião no Ministério da Saúde. Ao lado de seu irmão Geddel Vieira Lima (ministro da Secretaria de Governo), Lúcio foi peça-chave no impeachment de Dilma Rousseff no Congresso, como um dos líderes da ala rebelde do PMDB.

O presidente do PSDB na Bahia, deputado federal João Gualberto, também disse que recebeu a prisão de Cunha sem surpresa. “Recebi a notícia supernormal. Já era esperado. Até demorou”, disse o tucano. Gualberto torce, agora, para que o peemedebista faça delação. “Gostaria que ele fizesse. Espero que ele faça e leve as pessoas que fizeram mal junto com ele”.

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