Atleta medalha de ouro na Rio 2016 é porta-bandeira do Brasil na Universíade

20 de agosto de 2017

Há exatamente um ano, o lutador de taekwondo Maicon Andrade Siqueira conquistava uma medalha inédita para o Brasil nos Jogos do Rio de Janeiro: o bronze na categoria acima de 80 kg. A vitória na Arena Carioca 3 levou o país a conhecer a história do mineiro de fala calma e palavras certeiras, que começou a carreira se dividindo entre o taekwondo e o trabalho como servente de pedreiro. Com luta marcada para o dia 24 na Universíade de Taipei, o atleta olímpico comemora o aniversário de sua medalha com mais uma honraria: foi o porta-bandeira da delegação brasileira e vai novamente defender seu país em uma competição internacional.

“Eu consegui concluir todas as metas que coloquei para mim mesmo junto com meus treinadores, e consegui fazer hoje o aniversário de um ano de conquista olímpica dentro de outros ‘jogos olímpicos’, prestes a entrar para lutar. É muito satisfatório. É uma conquista muito grande pra mim, pessoalmente, para minha equipe, para a minha família, amigos e para a minha modalidade. Isso motiva a galera que está vindo lá atrás”, comemora ele, que disputa a Universíade como aluno-atleta de gastronomia na Universidade Municipal de São Caetano do Sul.

 Divulgação/Felipe Hermann/CBDU

Maicon Andrade, medalha de ouro no taekwondo na Rio 2018, leva a bandeira brasileira na abertura da Universíade de Taipei.Divulgação/Felipe Hermann/CBDU

A emoção de carregar a bandeira brasileira chegou a atrapalhar o sono do atleta na noite anterior à cerimônia, realizada ontem (19) no Estádio Municipal de Taipei. Maicon dividiu a notícia com parentes no Brasil e com os colegas do taekwondo, assim que foi comunicado pela Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), um dia antes do evento. “Não consegui manter segredo. A galera ficou a mil. Me deram os parabéns e todo mundo ficou alegre pelo esporte”, confessa ele.

O grande momento de Maicon, porém, quase sofreu um contratempo. O Brasil foi um dos poucos países que conseguiu entrar no estádio na hora programada, já que um protesto na área do estádio acabou resultando no adiamento da entrada de todas as delegações que ficam a partir do Canadá na ordem alfabética. Para esses países, a as bandeiras foram levadas por voluntários, antes da chegada das delegações ao estádio, que se deu apenas depois que a situação foi resolvida. Com a sorte ao seu lado, o lutador brasileiro comemorou o calor da torcida taiwanesa.

O atleta entra na disputa para valer e que acredita que o destaque na Universíade pode ajudá-lo na busca por patrocínio. Hoje, o atleta conta com o apoio da Bolsa Atleta, da Aeronáutica e do município de São Caetano do Sul. 

Para ser campeão da Universíade, Maicon pode ter pela frente o campeão olímpico de 2016, o lutador do Azerbaijão Radik Isaev, que foi para Taipei disputar a categoria dos pesos pesados do taekwondo. Mas os adversários do brasileiro também terão que superar um Maicon mais experiente e preparado para a vitória.

“Estou bem firme e mais experiente. Só pego atletas bons, e a gente aprende muito lutando com eles. Dei uma evoluída muito grande na minha carreira, estou vindo muito bem [para a Universíade]”, diz ele, que complementa: “Estou mais inteligente na modalidade, usando mais ainda a minha cabeça e bem mais centrado. O esporte é 30% o corpo, e 70%, a cabeça. O atleta é a cabeça, não é só o corpo. É o emocional”.

*O repórter viajou a convite da Confederação Brasileira do Desporto Universitário

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