Ataque hacker atingiu computadores em quase 100 países na sexta

15 de maio de 2017

Polícia europeia diz que é preciso uma investigação internacional.
Vírus explora uma falha grave no sistema Windows.

Um dia depois do ataque cibernético que afetou redes de computadores em quase cem países no mundo, os especialistas fazem um alerta: existe o risco de novos ataques.

Em alguma casa na Inglaterra, um jovem de 22 anos mora com os pais. A gente não sabe que rosto ele tem, mas virou um herói de guerra. Ele foi responsável pelo fim de um ataque virtual sem precedentes.

Imagina se o vírus de uma doença é detectado na Inglaterra ao meio-dia. E começa a aparecer quase simultaneamente em todo o planeta, afetando mais de 125 mil pessoas?

Foi isso que aconteceu na sexta-feira (12), mas os alvos eram computadores. Usuários em pelo menos 99 países tiveram o computador sequestrado.

O golpe funciona assim: você recebe um e-mail, aparentemente confiável. Mas se clicasse no anexo, imediatamente o seu computador é infectado e todos os que estão ligados em rede com ele. Na hora, todos os seus dados, seus arquivos, eram criptografados. Ou seja: você perde acesso a eles. Na tela, aparece uma mensagem: para ter seus documentos de volta, só pagando resgate. No mínimo, US$ 300 – quase R$ 1 mil.

Não se sabe quanta gente pagou, mas se estima que os hackers tenham embolsado mais de um bilhão de dólares.

O primeiro a dar o sinal do ataque foi o sistema de saúde britânico. Mas o ataque atingiu desde o governo russo até um serviço de entregas de encomendas americano e universidades na China e na Indonésia. O sistema de trens na Alemanha, empresas de telecomunicações na Espanha e em Portugal. A montadora francesa Renault chegou a parar a produção em algumas unidades.

A polícia europeia diz que é preciso uma investigação internacional complexa para descobrir quem tá por trás do ataque.

O que já se sabe é quem desenvolveu a tecnologia dele. Foi o governo americano – através da agência de segurança nacional: a NSA.

A gente está acostumado com a corrida armamentista em que os governos desenvolvem mísseis e bombas pra atacar e se defender.

A NSA produz as armas da guerra virtual. Vírus que atacam sistemas cibernéticos para espionar, por exemplo, terroristas e governos.

O problema é que várias dessas armas virtuais da NSA foram roubadas por hackers no ano passado. E uma delas foi usada pra fazer o vírus que atacou o mundo na sexta-feira (12). O vírus explora uma falha grave no sistema Windows, que é o mais usado no mundo. A Microsoft já tinha corrigido o problema, em março.

Quem atualizou o sistema desde então estava protegido. Mas muitas empresas e órgãos públicos não atualizam o sistema operacional com frequência por que isso custa caro

Por enquanto a situação está controlada. O que aquele jovem inglês descobriu foi um gatilho que fez o ataque parar por um tempo. Mas ele mesmo diz que os hackers podem desfazer o que ele fez e voltar a agir a qualquer momento.

Então o que a gente tem que fazer agora para se proteger? Os especialistas dizem que a primeira coisa é atualizar o Windows e o sistema de antivírus. E também dizem que não tem mais como vivermos sem um HD externo. Uma memória, sem conexão à internet, para guardar, pelo menos, os arquivos mais importantes. Ele funciona como um cofre, e é o que vai nos proteger pelo menos um pouco nessa nova realidade que mais parece um filme de ficção científica.

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