Aids: Rio entre os quatro estados com piores índices

1 de dezembro de 2016

O Dia

– Transmissão de casos de mãe para filho é o dobro da média nacional. Mortalidade também é mais alta, aponta Ministério da Saúde –

Rio – A taxa de mortalidade por Aids diminuiu em 42,3% em 20 anos em todo o país, como mostrou levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. Caiu de 9,7 óbitos por 100 mil habitantes, em 1995, para 5,6 óbitos por 100 mil habitantes em 2015. Em cinco anos, entre 2010 e 2015, houve queda expressiva também na transmissão do vírus HIV de mãe para filho ( 36%). Já o Rio de Janeiro, em comparação com a média nacional, apresenta uma das maiores taxas de infecção na combinação de indicadores do HIV, como contágio e mortalidade, ao lado de Rio Grande do Sul, Amazonas e Santa Catarina.

O panorama dos casos de transmissão de mãe para o filho no Estado do Rio é de 5 em uma taxa de detecção por 100 mil habitantes — a média nacional fica em torno de 2,5. Em relação à taxa de mortes, são 8,7 em uma população de 100 mil habitantes, superando a média nacional, de 6,0.

Os dados do novo Boletim Epidemiológico de HIV e Aids de 2016, que marcam o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado hoje, indicam que há no país cerca de 827 mil pessoas com HIV/Aids e que 112 mil estão vivendo com HIV e não sabem. O número de pessoas infectadas e tratadas subiu 38%: de 355 mil, em 2013, para 489 mil.

O patologista Bernard Kac,da rede de Laboratórios Lafe, diz que o tratamento está sujeito ao estágio da doença e de infecções associadas. “Também depende do número de linfócitos e da quantidade de vírus presentes. Mas é possível aumentar a qualidade de vida dos pacientes, se eles obedecerem ao uso dos medicamentos prescritos”.

No Rio, as 227 unidades de Atenção Primária (clínicas da família e centros municipais de saúde) iniciam hoje a campanha ‘Teste, Trate, Viva Melhor’, para conscientizar para a testagem e prevenção contra o HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Até sábado, a ação inclui distribuição de preservativos masculinos, femininos e gel lubrificante, além da oferta do teste para detecção de HIV e sífilis.

Oito prédios ou monumentos serão iluminados na cor vermelha —incluindo o Cristo Redentor, os Arcos da Lapa e a Câmara Municipal, na Cinelândia. ONGs que atuam na causa farão manifestações pela cidade para denunciar o preconceito contra a Aids e contra a PEC 55. “A gente vai enterrar o preconceito e a injustiça, e ainda protestar contra o corte dos gastos públicos”, disse Marcio Villard, do Grupo Pela Vidda RJ.

Ações marcam a data pela cidade

Hoje, das 9 às 19h – Testagem rápida do HIV por amostra de fluído oral na Praça Mauá, Centro, onde também haverá atividades políticas, sociais, culturais e de informação sobre HIV, das 11 às 16h.

Das 16h às 18h – Ato ‘Todos contra o preconceito, as injustiças e contra a PEC 55’ partindo da Praça Mauá até a Candelária.

18h – Ato público em frente à Candelária, com leitura da carta dos direitos fundamentais das Pessoas Vivendo com HIV e ciranda de abertura do 18º Vivendo.

Testes nas unidades de Atenção Primária do município, hoje e amanhã, das 8h às 20h, e no sábado, das 8h às 12h. Levar documento de identidade.

Voluntários do Projeto Diversidade Sexual, Saúde e Direitos entre Jovens e da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) vão distribuir preservativos e materiais informativos no Centro. Saída da sede da Abia (Av. Presidente Vargas 446, Centro, às 10h30.

Na segunda-feira, às 19h, acontece o lançamento do filme ‘Camisinha ainda tem prazo de validade?’, de Vagner de Almeida, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Reportagem da estagiária Marina Cardoso

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